NÃO COBIÇARÁS
Pra.Maria Luísa Duarte Simões Credidio
"Não cobiçarás a casa do teu próximo, não cobiçarás a mulher do teu
próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu
jumento, nem coisa alguma do teu próximo."
Ex 20:17
A COBIÇA COMEÇA PELOS OLHOS
Este mandamento, bem como o último mandamento da Lei de Deus, trata da cobiça, ou seja, estar decontente com o que tem e querer aquilo que é do nosso próximo. As pessoas muitas vezes procuram "jeitinhos"espertos e astutos,cm interpretações ardilosas da Lei, para tentar tirar do próximo o que querem. Isso é muito comum quando há casos sobre dinheiro e herança. É essa malícia, em querer o que é dos outros, que o último mandamento condena.
Na verdade, esse mandamento, junto com os anteriores que começam com um "Não", ou seja, uma proibição, vão ainda ais fundo. Eles atingem p nosso coração, os nossos desejos, que provocam as nossas atitudes. Jesus mesmo disse "que do coração procedem maus des ígnios, homicídios, adultério, prostituição, furtos, falsos testemunhos, blasfêmias"Mt. 15:19, e toda sorte de pecados. Estes dois mandamentos questionam as ambições más, onde a pessoa quer mais do que pode por meios honestos. Esta ambição má leva a pessoa a jamais estar cotente com o que tem. Só pnsa na felicidade em termos de conquistas materiais.
E aí está o verdadeiro centro desses mandamentos. Deus proíbe a cobiça, porque ela nos faz ficar sempre descontentes como que Ele nos deu Ela nos leva a qerermos mais do que podemos ter com os meios dados por Deus.
O Apóstolo Paulo disse certa vez: "Aprendi a viver contente em toda e qualquer situação"Fp 4:11. É que ele sabia que, estando na fartura ou na necessidade, o nosso Deus é fiel e, por amor a Jesus, o Cristo, está conosco como Pai amoroso. Com base nisso, podemos seguir em frente, buscando, sim, progredir, por meios honestos. Mas jamais nos deixando dominar pela cobiça.
Estudemos um pouco mais a fundo: o décimo mandamento envolve atos e sentimentos. O último mandamento protege
o ser humano de ambições erradas. A cobiça infecta pobres e ricos nas suas mais
diversas formas. Segundo
Agostinho, "quando desejamos mais do que o suficiente, estamos cobiçando." Cobiçar
poderia ser traduzido também por “ansiar por”. Calvino dirá que “a suma (desse
mandamento) é que não surja em nós um pensamento que mova a nossa alma por uma
concupiscência prejudicial e inclinada para a queda do outro”. Calvino
brilhantemente escreve, nas Institutas, que a finalidade do décimo mandamento é
que afastemos do nosso coração todo desejo que seja contrário ao amor e à
caridade, visto que Deus quer que a nossa alma esteja dominada por essas
qualidades (amor e caridade), e que de amor transborde. Não devemos, pois,
acolher nenhum pensamento que possa induzir o nosso coração a alguma
concupiscência ou cobiça que leve o nosso próximo a sofrer algum dano ou
prejuízo. Assim agindo estaremos observando o preceito afirmativamente, pois
dessa forma ele determina que tudo o que imaginarmos, deliberarmos, desejarmos
ou buscarmos esteja em harmonia com o bem do nosso próximo e com o que lhe é
útil e proveitoso. Convido você para mergulharmos mais fundo
nas Escrituras!
ABRANGÊNCIA, OBJETIVO, CONTEXTO E ESCLARECIMENTOS
1. Abrangência. O tema diz
respeito à proibição da concupiscência da carne, da concupiscência dos olhos e
da soberba da vida (Gn 3.6; 1 Jo 2.16). Isso envolve muitos tipos de pecado
como sensualidade, luxúria, busca desenfreada por possessões ilícitas, obsessão
pelo poder, ostentação esnobe e orgulho. Esse mal continua no gênero humano
desde a sua queda até a atualidade. Antes
de qualquer coisa é preciso deixar bem claro a diferença existente entre cobiça,
ambição e ganância. É possível confundirmos uma coisa com a outra e esta
confusão pode nos levar a diversas interpretações equivocadas. Portanto,
estejam atentos: Ambição é querer mais, ganância é nunca estar satisfeito e
cobiça é querer o que não é legítimo. Sendo assim, não existe pecado na
ambição, afinal, não devemos nos contentar com as migalhas e o resto quando é
possível sermos melhores, termos mais, usufruirmos melhor. Deus nos prometeu
uma mesa posta e cálice transbordando. Se podemos e temos condições, devemos
correr atrás. Já a ganância é perniciosa. Ela é um pouco diferente da ambição,
pois o ganancioso não sabe parar, não se contenta. O descontentamento pode, e
normalmente leva o ganancioso a atitudes pecaminosas. Por só enxergar aquilo
que ainda não possui, o ganancioso não consegue ser grato e não desfruta daquilo
que já possui. Mas a cobiça é o pior de tudo! Ela estimula a posse por
usurpação e agarra-se ao que não é permitido. Enquanto a ambição e ganância
buscam coisas legítimas e permitidas, a cobiça deseja aquilo que é proibido.
Ela é irmã da inveja e é diretamente condenada e proibida por Deus: “Não
cobiçarás” Neste ponto, no
tocante ao décimo mandamento, aprendemos que a lei aplica-se não somente aos
atos, mas também aos sentimentos e intenções do coração. Em outras palavras, a
lei envolvia sentimentos interiores, e não apenas atos externos. O sétimo
mandamento proíbe o sexo com a mulher de outro homem; e o décimo mandamento
proíbe o desejo disso. Neste ponto, a lei aproxima-se da abordagem feita por Jesus
a respeito, em Mt. 5.21 ss. Todos os pensamentos devem ser levados ao
cativeiro a Cristo (II Cor. 10.5). Se o oitavo mandamento proíbe o roubo, 0
décimo proíbe até mesmo o desejo de roubar. Por conseguinte, o décimo
mandamento opera como uma espécie de limiar das noções neotestamentárias sobre
essas mesmas questões. O Novo Testamento repete dez dos mandamentos, deixando
de fora aquele atinente ao sábado. Mas o dia do Senhor ou domingo, embora não
seja um sábado ou descanso, envolve as implicações espirituais do mandamento
relativo ao sábado, enaltecendo e iluminando o sentido espiritual do sábado.
2. Objetivo. O propósito divino
é estabelecer limites à vontade humana, para que haja respeito mútuo entre as
pessoas e seus bens. Muitos outros vícios acompanham a cobiça, como lascívia,
concupiscência, inveja e avareza, entre outros (Gl 5.20,21; Tg 4.2). Não pode
haver paz num contexto como esse. É necessário que cada pessoa se controle para
viver uma vida virtuosa, e isso é fundamental na construção de uma sociedade
justa e feliz. Melhor é o que domina seu espírito do que o que toma uma cidade
(Pv 16.32). Nós levamos vantagem por termos Jesus e o Espírito Santo (Gl 2.20;
5.5). A
vontade de Deus expressa nesse último mandamento do Decálogo é que haja pleno
contentamento com aquilo que temos e com a nossa condição: "Contentai-vos
com o vosso soldo" (Lc 3.14), ensino de João Batista para os militares.
"Mas é grande ganho a piedade com contentamento" (1 Tm 6.6). Quem tem
Jesus não está obcecado pelas riquezas materiais, pois tem em seu interior algo
muito mais valioso que os tesouros do mundo. A NTLH traduz esse versículo da
seguinte forma: "É claro que a religião é uma fonte de muita riqueza, mas
só para a pessoa que se contenta com o que tem”. A Bíblia nos exorta ainda:
"contentando-vos com o que tendes" (Hb 13.5). Há aqui certo paralelo
com Filipenses 4.11. Mas convém ressaltar que todas essas exortações não são
uma apologia à pobreza nem uma defesa do status quo econômico; é uma
recomendação para que nossos desejos não venham desagradar a DEUS nem causar
danos ao nosso próximo (Rm 12.15). A conduta do cristão deve ser a de se
alegrar com que os se alegram e chorar com os que choram (Rm 12.15). Ninguém
deve ser dominado pela inveja (G1 5.26; Tg 4.14-16) nem alimentar o sentimento
de tristeza pelo sucesso alheio (Ne 2.10; Sl 112.9,10). Glorifique a Deus pelas
bênçãos e pelo sucesso do seu irmão, e você será abençoado também, a seu tempo
(Ec 3.1-8).
Somos pessoas
ambiciosas. Vivemos numa sociedade que estimula essa nossa ambição natural e,
frequentemente, nos diz: “que somos o que temos”, ou que “valemos o que temos”,
daí a nossa busca desenfreada por status e poder. Por exemplo, o que fazemos
quando compramos um carro novo? Geralmente vamos mostrá-lo a alguém, como se
não houvesse graça consegui-lo se não existir alguém para cobiça-lo.]
3. Contexto. Há algumas
variações entre os dois textos (Êx 20.17; Dt 5.21). A ordem das cláusulas está
invertida. Em Deuteronômio, aparece um sinônimo do verbo "cobiçar" e
acrescenta-se a palavra "campo". Isso mostra que o formato de Êxodo
está adaptado ao estilo nômade de vida de Israel no deserto, ao passo que
Deuteronômio é o modelo para o país prestes a ser estabelecido na terra de
Canaã. O
décimo mandamento aparece expandido em Deuteronômio em relação ao texto de
Êxodo e inclui o campo do próximo na lista das coisas que não devem ser
cobiçadas. Alguns críticos estranham a inversão das cláusulas, pois a
fraseologia de Êxodo começa por não cobiçar a casa do próximo e em seguida vem
a proibição de não cobiçar a mulher do próximo, mas em Deuteronômio essa ordem
é invertida: primeiro vem a mulher e depois a casa. Ambos textos, contudo,
proíbem a cobiça de bens e pessoas, além da mulher ou do esposo, pois a mulher
pode também cobiçar o marido alheio, o servo e a serva do próximo; propriedades-,
casa e campo; o termo "casa" aparece muitas vezes na Bíblia com o
sentido de "família" (Js 24.15; At 16.31), mas parece não ser essa a
ideia aqui; e semoventes: boi, jumento ou qualquer outra coisa. A frase final
"nem coisa alguma do teu próximo" inclui posição social ou ascensão
no trabalho. Há discussão sobre a substituição de hãmad por ’ãwãh na segunda
cláusula do décimo mandamento (Dt 5.21). O verbo hãmad aqui aparece com a
esposa do próximo e ’ãwãh com as demais coisas. Isso pode levar alguém a pensar
em hãmad como um tipo sensual de desejo, mas isso não procede por duas razões
principais: a) é usado para bens móveis e imóveis (Js 7.21; Mq 2.2); b) ambos os
termos aparecem como sinônimos (Gn 3.6; Pv 6.25; Sl 68.17). Parece que 'ãwãh
diz respeito a um tipo de desejo casual. O formato textual de Êxodo está
adaptado ao estilo nômade de vida de Israel no deserto, ao passo que
Deuteronômio, quase 40 anos depois, é o modelo para o povo prestes a ser
estabelecido na terra de Canaã como país.
4. Esclarecimento. Os católicos
romanos e os luteranos dividem em dois o décimo mandamento: "Não cobiçarás
a casa do teu próximo", um; e "Não cobiçarás a mulher do teu
próximo" (Êx 20.17), dois. Enquanto essas sentenças são lidas como
mandamentos distintos, eles consideram "Não terás outros deuses
[...]" e "Não farás para ti imagem de escultura [...]" como um
único mandamento. Na soma permanecem os dez mandamentos. Ambos mantiveram a
tradição catequética medieval desde Agostinho de Hipona. Nós seguimos o sistema
das igrejas reformadas, que vem dos judeus e é anterior a tudo isso (cf. Flávio
Josefo. História dos Hebreus. Edição CPAD, pp.165-66). Já
vimos que o Decálogo está estruturado em duas seções identificadas com a
primeira e a segunda tábuas, as tábuas de pedra em que foram escritos os Dez
Mandamentos, literalmente as dez palavras. A primeira contém os compromissos do
israelita diante de Deus, e a segunda de sua responsabilidade para com o
próximo. Os dois grandes mandamentos citados por Jesus podem ser um resumo
dessas duas tábuas. Esses mandamentos estão dispostos numa sequência lógica. O
quinto mandamento é uma ponte que une o conteúdo das duas tábuas. Em seguida
vem a proteção da vida: “Não matarás"; depois a proteção da família:
"Não adulterarás"; a proteção da propriedade: "Não
furtarás"; a proteção da honra: "Não dirás falso testemunho contra o
teu próximo"; e o último protege o israelita de ambições erradas. Os
católicos romanos e os luteranos mantiveram a tradição catequética medieval do
Decálogo esboçada por Agostinho de Hipona e que predominou durante a Idade
Média. Os dois primeiros mandamentos são considerados um só, e o décimo é
dividido em dois. "Não cobiçarás a casa do teu próximo" é o nono, e
Não cobiçarás a mulher do teu próximo" (Êx 20.17), o décimo. Qualquer
pessoa pode observar sem muito esforço que tal arranjo é uma camisa de força,
pois não corresponde à divisão natural (Êx 20.1-17; Dt 5.7-21). Além disso, o
Decálogo do catolicismo romano não é bíblico, trata-se de uma interpretação com
lentes papistas. Nós seguimos o arranjo das igrejas ortodoxas e protestantes
reformadas, que vem desde os antigos judeus (Josefo, Antiguidades Judaicas,
Livro 3, 4.113, edição CPAD) e Esequias Soares. Os Dez Mandamentos. Valores
Divinos para uma Sociedade em Constante Mudança. Editora CPAD. pag. 132; 134.]
Chegamos então à conclusão, que é pecado o desejo ardente de possuir ou conseguir alguma coisa que
pertence ao próximo.OREMOS: Senhor deus, guarda-me da cobiça Ensina-me a valorizar o que tenho por tua bondade e graça. É o que lhe peço, em nome de Jesus! Amém.
POST SCRIPTUM: E ASSIM TERMINAMOS O ESTUDO DO DECÁLOGO. ESPERO QUE TENHA SERVIDO PARA AUMENTAR SEU CONHECIMENTO BÍBLICO, BEM COMO ESCLARECER ALGUMAS NOÇÕES ERRADAS QUE CULTIVAMOS POR IGNORÂNCIA DA PALAVRA. ESPERO TAMBÉM TER CONTRIBUÍDO PARA SEU CRESCIMENTO ESPIRITUAL E QUE DEUS O ABENÇOE!
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