Estamos
no novo ano, todos cheios de planos e ideias novas. Por essa razão,
mais uma vez passo a vocês dois textos (um complementa o outro) do Pr.
Ed René Kivitz, teólogo reconhecido, pastor titular da Igreja Batista da
Água Branca e autor de onze livros. É esclarecedor e derruba mitos
sobre os quais muitas igrejas apoiam seus alicerces e nos
quais acreditamos e embasamos nossas ações.
Que Deus abençoe a todos e tire as escamas dos olhos de cada um, para que compreendam a verdadeira essência da Palavra.
Pra. Maria Luísa Duarte Simões Credidio
Pr. Ed René Kivitz
Troque o how to pelo to be I
Em apenas 17 segundos, encontrei aproximadamente 62.700.000
referências para a expressão "how to" (como fazer) num site de busca na
Internet. Você encontra explicações variadas e detalhadas para fazer
quase qualquer coisa num processo "soluções passo a passo" no jogo "faça
você mesmo". A lista de sugestões é interminável: como dar um nó de
gravata, como fazer de seu cachorro uma estrela de comerciais de tv,
como perder peso, como conseguir um empréstimo, como administrar
conflitos familiares durante as festas de final de ano, como se vestir
para uma entrevista profissional, e milhares de outras não menos
"interessantes".
Em minha rápida pesquisa, encontrei também algumas variações do tema, como por exemplo "how stuff works" (como as coisas funcionam). Faz sentido. Há uma lógica por trás desta cultura. Partindo do princípio que todas as coisas podem ser resumidas a relações de causa e efeito passíveis de serem decodificadas em regras e manuais, então qualquer coisa pode ser construída, fabricada, executada e controlada, desde que se entenda como a tal coisa funciona. Não importa se esta tal coisa é sua esposa com a auto imagem abalada por estar acima do peso, seu filho que vai mal na escola porque você e sua esposa vivem como cão e gato, ou o departamento financeiro da sua empresa às voltas com a taxa de juros e a carga tributária.
Há ainda uma terceira expressão própria desta cultura mecanicista: "just do it", ou simplesmente faça. A idéia por trás é "faça, e faça você mesmo, não fique parado, não espere pelos outros, seja pró-ativo; nós estamos aqui para dizer a você como as coisas funcionam, e guiar você passo a passo para que você seja capaz de fazer quase qualquer coisa".
Eis o triângulo do pragmatismo contemporâneo: "how stuff works", "how to do", e "just do it" - como as coisas funcionam, como fazer as coisas, e faça, simplesmente faça. Esta é a síntese da cultura mecanicista, prima irmã do individualismo (eu me basto, posso fazer tudo sozinho, desde que tenha um manual nas mãos) e do superficialismo (nada é tão complexo que não possa ser decodificado, reduzido a um método, e resumido num manual). Por esta razão já encontramos manuais para a relação pais e filhos, como se o ditado popular que afirma que "mãe é tudo igual, só muda de endereço" fosse mesmo verdadeiro.
Uma organização que se ocupa apenas com "how to" (como fazer as coisas) está longe de encontrar o caminho do sucesso, pois a trilha mais excelente é a do "to be" (ser). E para o "to be" não existe "how to".
Em minha rápida pesquisa, encontrei também algumas variações do tema, como por exemplo "how stuff works" (como as coisas funcionam). Faz sentido. Há uma lógica por trás desta cultura. Partindo do princípio que todas as coisas podem ser resumidas a relações de causa e efeito passíveis de serem decodificadas em regras e manuais, então qualquer coisa pode ser construída, fabricada, executada e controlada, desde que se entenda como a tal coisa funciona. Não importa se esta tal coisa é sua esposa com a auto imagem abalada por estar acima do peso, seu filho que vai mal na escola porque você e sua esposa vivem como cão e gato, ou o departamento financeiro da sua empresa às voltas com a taxa de juros e a carga tributária.
Há ainda uma terceira expressão própria desta cultura mecanicista: "just do it", ou simplesmente faça. A idéia por trás é "faça, e faça você mesmo, não fique parado, não espere pelos outros, seja pró-ativo; nós estamos aqui para dizer a você como as coisas funcionam, e guiar você passo a passo para que você seja capaz de fazer quase qualquer coisa".
Eis o triângulo do pragmatismo contemporâneo: "how stuff works", "how to do", e "just do it" - como as coisas funcionam, como fazer as coisas, e faça, simplesmente faça. Esta é a síntese da cultura mecanicista, prima irmã do individualismo (eu me basto, posso fazer tudo sozinho, desde que tenha um manual nas mãos) e do superficialismo (nada é tão complexo que não possa ser decodificado, reduzido a um método, e resumido num manual). Por esta razão já encontramos manuais para a relação pais e filhos, como se o ditado popular que afirma que "mãe é tudo igual, só muda de endereço" fosse mesmo verdadeiro.
Uma organização que se ocupa apenas com "how to" (como fazer as coisas) está longe de encontrar o caminho do sucesso, pois a trilha mais excelente é a do "to be" (ser). E para o "to be" não existe "how to".
© 2005 Ed René Kivitz
Troque o how to pelo to be II
A Ibab rejeitou todos os pacotes metodológicos para o
desenvolvimento da vida comunitária. Começamos descartando o pacote
denominacional batista, e com ele todos os demais, como por exemplo o
Evangelismo Explosivo (James Kennedy), a Vida Total da Igreja (Darrell
Robinson), o movimento de igrejas em células (Ralph W. Neighbour Jr.), a
visão dos 12 (César Castellanos Dominguez), made in Colômbia, até as
mais recentes propostas da Willow Creek Community Church (Bill Hybles) e
da Saddleback Valley Community Church (Rick Warren), "a igreja com
propósitos".
A opção da Ibab foi abraçar princípios e valores, em detrimento de estruturas, métodos, processos e textos prontos. Primeiro, porque acreditamos que mais importa abraçar princípios e valores. Segundo, porque acreditamos que temos nosso próprio jeito de ser, discernido a partir do triângulo liderança-contexto-comunidade. Mas, principalmente, porque todos os modelos eclesiásticos, sem exceção, estão baseados em três pilares: [1] o evangelismo pessoal, em detrimento da proclamação do evangelho do reino; [2] o crescimento da igreja, em detrimento da transformação de realidades; e [3] a institucionalização da experiência religiosa, em detrimento da liberdade cristã e inserção do cristão na vida real e na sociedade.
A Ibab não deseja padronizar a experiência cristã, e muito menos os processos através dos quais as pessoas podem ser encontradas por Deus e peregrinar no discipulado. Não cremos possível resumir o evangelho de Jesus Cristo a um conjunto de verdades apostiladas e transmitidas em eventos. Não cremos que o crescimento da igreja local seja a finalidade última da missão. Não estamos no projeto de viabilizar e construir um império eclesiástico. Não somos vítimas daquela vaidade do tipo "Deus nos deu uma visão que todos precisam conhecer". Não desconsideramos a diversidade e a riqueza da experiência humana, e não temos a pretensão de encontrar um método, um programa ou um modelo de ministração que desconsidere a complexidade da alma. Pessoas não são máquinas. Pessoas não funcionam segundo a lógica de causa e efeito, e portanto não podem ter sua individualidade reduzida a "problemas padrão" e "soluções instantâneas".
Como disse Eugene Peterson, estamos no "business of making saints". Nosso "negócio" implica sofrer dores de parto até que Cristo seja formado nas pessoas a quem servimos e ministramos (Gálatas 4: 19). E para isso, não existe how to. O modelo de Jesus está em Marcos 3: 14: chamou 12 para que estivessem com ele. Para fazer discípulos e pastorear o rebanho de Deus, nada substitui a relação pessoal, o contato corpo a corpo, olhos nos olhos. Nossa palavra chave não é método, processo, ferramenta, programa, atividade, projeto. O nome do jogo é relacionamento: estar com.
A opção da Ibab foi abraçar princípios e valores, em detrimento de estruturas, métodos, processos e textos prontos. Primeiro, porque acreditamos que mais importa abraçar princípios e valores. Segundo, porque acreditamos que temos nosso próprio jeito de ser, discernido a partir do triângulo liderança-contexto-comunidade. Mas, principalmente, porque todos os modelos eclesiásticos, sem exceção, estão baseados em três pilares: [1] o evangelismo pessoal, em detrimento da proclamação do evangelho do reino; [2] o crescimento da igreja, em detrimento da transformação de realidades; e [3] a institucionalização da experiência religiosa, em detrimento da liberdade cristã e inserção do cristão na vida real e na sociedade.
A Ibab não deseja padronizar a experiência cristã, e muito menos os processos através dos quais as pessoas podem ser encontradas por Deus e peregrinar no discipulado. Não cremos possível resumir o evangelho de Jesus Cristo a um conjunto de verdades apostiladas e transmitidas em eventos. Não cremos que o crescimento da igreja local seja a finalidade última da missão. Não estamos no projeto de viabilizar e construir um império eclesiástico. Não somos vítimas daquela vaidade do tipo "Deus nos deu uma visão que todos precisam conhecer". Não desconsideramos a diversidade e a riqueza da experiência humana, e não temos a pretensão de encontrar um método, um programa ou um modelo de ministração que desconsidere a complexidade da alma. Pessoas não são máquinas. Pessoas não funcionam segundo a lógica de causa e efeito, e portanto não podem ter sua individualidade reduzida a "problemas padrão" e "soluções instantâneas".
Como disse Eugene Peterson, estamos no "business of making saints". Nosso "negócio" implica sofrer dores de parto até que Cristo seja formado nas pessoas a quem servimos e ministramos (Gálatas 4: 19). E para isso, não existe how to. O modelo de Jesus está em Marcos 3: 14: chamou 12 para que estivessem com ele. Para fazer discípulos e pastorear o rebanho de Deus, nada substitui a relação pessoal, o contato corpo a corpo, olhos nos olhos. Nossa palavra chave não é método, processo, ferramenta, programa, atividade, projeto. O nome do jogo é relacionamento: estar com.
© 2005 Ed René Kivitz
Comentários
Postar um comentário