Numa meditação antiga, falei sobre crise. Ontem, procurando
textos meus sobre José, a quem meu filho muito admira, encontrei esse no qual falo da prudência a ser adotada nos tempos de fartura. Como é um texto
ainda muito atual e que prevê a crise que hoje assola os EUA e todo o
resto mundo, resolvi enviá-lo como Meditação desta semana. Que Deus os
abençoe.
Pra. Maria Luísa Duarte Simões Credidio
José
é um dos meus líderes preferidos da Bíblia. A montanha-russa que ele
percorreu, de filho favorito a escravo, passando de mordomo a
prisioneiro e chegando a vice-rei do Egito é espantosa e inspiradora. O
desfecho dessa história oferece esperança para quem estiver enfrentando tempos difíceis: “Vocês planejaram o mal contra mim, mas Deus o tornou em bem” (Gênesis 50:20). Um exemplo da intervenção de Deus nos negócios humanos para realizar Seus propósitos.
Tenho
ponderado ultimamente
sobre essa história, a partir de uma perspectiva diferente, ou seja,
sobre as lições de cunho financeiro que ela
contém. O ponto decisivo da experiência de José no Egito aconteceu
quando ele interpretou dois sonhos para Faraó. Ele compreendeu que o
Egito viveria sete anos de abundância, seguidos por sete anos de
escassez. Assim, ele supervisionou os preparativos durante os anos de
prosperidade, para que a população pudesse sobreviver nos anos de fome.
Sem querer fazer qualquer predição, tenho me perguntado se as nações
que têm experimentado grande prosperidade, não poderiam em breve, ser
confrontadas com um cenário similar - “anos de prosperidade versus anos
de escassez” - por qualquer razão. Se isso for ainda que remotamente
possível, seria sábio se, considerando as implicações da história de
José, se começasse a preparar agora, durante os anos de continuada
abundância, para as dificuldades nos anos por vir.
Por mais de duas décadas, muitas nações, particularmente no Ocidente,
têm experimentado uma extraordinária prosperidade econômica. Por
exemplo, desde a década de 80, os Estados Unidos enfrentaram apenas dois curtos e
moderados períodos de recessão, com a duração de nove meses cada. O quão
comum é isto? Considere que de 1900 a 1982 aconteceram 19 períodos de
recessão, cada um surgindo em média, a cada três anos e meio depois do
término do anterior. Além do forte crescimento econômico, as oscilações
no mercado financeiro e no valor dos imóveis aumentaram ainda mais a
riqueza individual e nacional. Sem dúvida que a economia recente e o
grau de prosperidade que ela produziu têm sido incomuns.
O ideal seria se tivéssemos tirado vantagem dessa prosperidade para nos preparar, no plano pessoal e
nacional, para futuras tempestades financeiras.
Mas o oposto é que tem sido verdadeiro em larga escala. Vejamos alguns dados do mercado americano:
·
Em 1982, pagamentos para cobrir dívidas familiares exigiram pouco mais
de 1 de cada 10 dólares arrecadados em impostos. Em 2005, essa proporção
cresceu para 1 de cada 7 dólares.
· Falências pessoais chegaram ao patamar de 31,6% em 2005. Neste ano, 1 entre cada 53 famílias pediu falência.
·
A taxa de poupança caiu para - 0,5% em 2005, com os consumidores
gastando mais do que ganham desde a Grande Depressão em 1932-33.
As notícias não são melhores em nível nacional, com cortes antecipados de vários
Serviços Sociais. Mesmo com a propalada prosperidade, não há esforços consistentes sendo feitos para corrigir esses
problemas.
A Bíblia é clara em suas advertências quanto à dívida. Analisando as
tendências e estatísticas financeiras é fácil enxergar o potencial para
um revés em algum momento futuro. Graças a Deus por Ele nos ter dado
princípios que nos mostram como nos prepararmos durante os anos de
prosperidade que ainda restam: trabalhar diligentemente para estar livre
de dívidas, estabelecer um fundo de poupança para emergências, investir
no futuro e diversificar largamente.
José sabiamente guardou 20% da colheita de grãos, o que possibilitou
salvar nãoapenas o Egito no período de fome, mas também as nações
vizinhas. Esse deveria ser o nosso objetivo: sermos fiéis mordomos
agora, nos tempos bons, preparando-nos para tempos difíceis no futuro.
Com uma
administração sábia e fiel podemos ser
usados como José, como instrumentos do livramento de Deus em tempos de
infortúnio.
OREMOS: “Observe
a formiga, preguiçoso, reflita nos caminhos dela e seja sábio! Ela não
tem nem chefe, nem supervisor, nem governante, e ainda assim armazena as
suas provisões no verão e na época da colheita ajunta o seu alimento”
(Provérbios 6.6-8).
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