A CIDADE -
Dr. Russel P. Shedd
Dr. Russel P. Shedd
Quando Deus criou o primeiro casal, o colocou no paraíso (significa
“jardim” na língua persa). A decisão catastrófica ocorreu quando eles
cederam à tentação de comer da árvore do conhecimento do bem e do mal.
Deus os expulsou do jardim e eles começaram sua busca pelo sentido da
vida, levantando torres e construindo cidades. “Caim fundou uma cidade”,
informa o texto bíblico.
Muitos anos depois, Deus convocou Abraão a deixar a cidade de Ur
dos Caldeus, entre as mais modernas do mundo antigo. Peregrinou na terra
prometida alojando-se numa tenda, mas esperava uma “cidade que tem
alicerces cujo arquiteto e edificador é Deus” (Hb 11.10). Essa cidade
deve ter sido a Nova Jerusalém.
H. Drummond nos surpreende, ao afirmar que o cristianismo é
distinto de todas as outras religiões porque é a “religião de cidades...
sua esfera é a rua, o mercado, a vida do empregado no mundo. De fato, o
novo mundo do Apocalipse se apresenta para nós em forma de uma imensa
cidade. A vida da cidade é intensa, real e comunitária” (The Greatest
Thing in the World). Na cidade, quem desejar pode se isolar, ou ter
muitos amigos.
O Espírito Santo desceu sobre os 120 discípulos na cidade. A
primeira igreja foi plantada na cidade. Atos narra o sucesso do
Evangelho correndo a largos passos pelas cidades de Jerusalém, Damasco,
Antioquia, Tessalônica, Corinto, Éfeso e Roma.
Deus planejou enviar seus embaixadores às cidades de onde o
conhecimento da verdade salvadora se espalharia pelas zonas rurais. A
dinâmica da mensagem em Éfeso foi tal que, em apenas dois anos “todos os
judeus e os gregos que viviam na província da Ásia ouviram a palavra do
Senhor” (At 19.10).
Mas nem tudo é belo e atraente na cidade. Tem seu lado sombrio.
Nela, proliferam a competição, a busca frenética do poder, do dinheiro,
de ter em vez de ser. Na cidade, a prostituição, as drogas e a violência
contaminam a atmosfera. Creio que muitos concordariam que é mil vezes
mais fácil sentir a presença e ação de Deus no campo do que na confusão
de prédios e ruas congestionadas. Não foi por meio de um arbusto em
chamas que Deus se revelou a Moisés?
No congresso de evangelismo, Lausanne II, em Manila (1989), um
palestrante, Os Guiness, citou Abraão Kuyper, primeiro ministro da
Holanda, “Não há uma polegada sequer de qualquer esfera da vida sobre a
qual Cristo não diz: “Meu”. É isto que torna a modernidade tão difícil”.
Precisamente na cidade, a modernidade nos confronta com a força de um
Tsunami. Mas sobre a cidade, Deus tem vontade de revelar seu poder
transformador, dizendo: “Isto é meu!”.
Se o nosso destino final é de fato uma cidade, não seria de
primordial importância aprendermos a viver de forma cristã na cidade?
Não seria alvo digno do Senhor da igreja, nos esforçar na transformação
da comunidade na qual ela se encontra, num reflexo do modelo da Nova
Jerusalém?
Richard Baxter, dedicado pastor da igreja de Kidderminster,
Inglaterra (séc. XVII), foi o instrumento da mudança na reputação da
cidade. De pior, passou a ser considerada a mais santa do país. A
contagiosa influência de um pastor santo como Baxter tem poder para
mudar um bairro, uma cidade ou um país. Em vez de escândalos abalarem a
igreja, roguemos a Deus por líderes que consigam implantar o modelo da
Nova Jerusalém no meio dos homens engavetados na cidade poluída e
escura, carecendo da luz de Deus.
De cima é fácil identificar uma cidade pela mancha de luz que passa
por debaixo do avião. Milhares de luzes juntas dão a impressão de uma
luz espalhada numa grande área da terra. Seria assim que a cidade
corrompida pela pecado poderia ser modificada? Não espere pelos
políticos, nem pela legislação, nem uma maior proliferação de policiais.
A mudança da cidade ocorre pelas luzes que vidas santas produzem. Jesus
declarou: “É impossível esconder uma cidade construída sobre um monte”.
Mas uma cidade sem luzes se esconde, sim! Portanto, candeias colocadas
em lugares apropriados iluminam a todos que estão na casa e transformam a
cidade numa mancha de luz gigante.
Assim, não podemos imaginar a beleza da Cidade de Deus que os
herdeiros da salvação ocuparão. Todos se amarão perfeitamente. O fruto
do Espírito dominará todos os relacionamentos. No presente gozamos das
primícias do Espírito para experimentar a sombra dessa realidade.
Fonte: www.revistaenfoque.com.br
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