QUEBRANDO PARADIGMAS
 
Pra. Maria Luísa Duarte Simões Credidio
 
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   Nós, cristãos, não temos mais templos e nem sacerdotes que oferecem sacrifícios a um Deus ultrajado em sua justiça. Nós não precisamos mais guardar dias sagrados e tampouco observar rituais para a purificação pessoal e veneração a Deus.
    No Novo Testamento, o apóstolo Pedro é o porta voz da doutrina a respeito do culto de ensinar que aqueles que estão em Cristo são semelhantes pedras vivas, edificados como casa espiritual, para sacerdócio santo, a fim de que ofereçam sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por meio de Jesus Cristo (1Pe 2.5). O único sacrifício espiritual agradável a Deus que um cristão pode oferecer é a sua própria vida: "Rogo-vos pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional ( do grego logiken: genuíno, autêntico, legítimo)" Em outras palavras, se a igreja, em Cristo, é templo de pedras vivas, cada cristão é um sacerdote e sua própria vida, o sacrifício. Entendem então que o culto  ganha outra dimensão?
   Esse novo conceito de culto traz duas abordagens a considerarmos:
1- A primeira é que a vida é um culto e nesse caso, "quer comais, quer bebais, ou falais qualquer outra coisa, fazei tudo para a glória de Deus" I Cor. 10:31. O que costumamos chamar de louvor, com pessoas reunidas em cânticos, é um ato de adoração e não a totalidade de nossa devoção a Deus. Aliás, é pouco para um Deus tão misericordioso.
2- A segunda implicação é que apresentar a vida como um sacrifício vivo a Deus, implica em serviço. Segundo Russel Shedd, " o corpo e a mente não são sacrificados num altar, segundo o modo da antiga aliança, mas incorporados no serviço ativo dentro do corpo de Cristo, a Igreja. Os dons distribuídos pelo Espírito Santo são um sinal claro da aprovação de Deus aos sacrifícios vivos que lhe foram oferecidos".
   Temos então, que reuniões de louvor eram uma parêntesis na vida de serviço sacerdotal da Igreja no mundo e não a totalidade de sua dedicação a Deus. Os cristãos não necessitam dos grandes ajuntamentos para louvor e edificação...mas a celebração não encerra a totalidade da vivência da fé, sendo, de fato, apenas uma de suas partes...sendo inclusive muito reducionista do amplo sentido de servir a Deus.
    A Igreja de Jesus é desafiada pelo Novo Testamento a viver além dos limites do templo, além dos limites do domingo, além dos limites do clero.Tá bom, você vai me dizer: isso não é novidade. Não. Mas o problema é que nossa prática eclesiástica não acompanha nossa lucidez teológica. A Igreja não se vê mais como um instrumento nas mãos de Deus para "fazer convergir em Cristo todas as coisas , tanto as que estão no céu, quanto as que estão na terra" Ef 1:10 . O que isto quer dizer? Que se a Igreja perde o sentido de missão, pois se o Senhor Jesus quer exercer sua autoridade no universo criado por meio da Igreja, ela não pode permanecer intra muros. O maior desafio  pastoral contemporâneo é pegar os cristãos reunidos no templo, no domingo, para o culto onde o clero desempenha sua performance, e despejá-los na segunda-feira para a vivência da fé, onde quer que estiverem. Pregar e deixar que se compreenda "que a igreja é a comunidade reunida para o culto" é uma ampla, geral, irrestrita e completa  distorção dos propósito de Deus. Infelizmente.
 
 Inspirado em texto de Ed René Kivitz,  1995

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