A TEOLOGIA DA ESPERANÇA, DE JURGEN MOLTMANN
Pr. Jorge Pinheiro os Santos
Hoje, a pedido de um amigo muito especial que fez Teologia comigo, e que tinha "brechas em seu conhecimento" da Teologia da Esperança posto aqui pretendendo esclarece-lo, um texto sobre a Teologia da Esperança, de Jürgen Moltmann, escrito pelo pastor Jorge Pinheiro dos Santos que é pastor auxiliar na Igreja Batista em Perdizes, Doutor e Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e Teólogo pela Faculdade Teológica Batista de São Paulo (FTBSP). Quem quiser ler mais alguma coisa sobre ele, pode acessar www.ibperdizes.com.br
Pra. Maria Luísa Duarte Simões Credidio
A ESPERANÇA ESCATOLÓGICA -
Pr. Jorge Pinheiro dos Santos
A) O princípio arquitetônico > revelação = base e eixo da teologia > fé objetiva.
B) O princípio hermenêutico > interpretação dos aspectos históricos da salvação = produto da razão. Da razão ordinária, que é a universalidade do senso comum; da razão filosófica, que produz ordenação; e da razão científica, ligada aos fenômenos.
Porque o princípio arquitetônico depende do que colocamos como base da estruturação geral de nosso estudo: a graça e a fé, no caso de Lutero; a soberania de Deus, no caso de Calvino; ou o amor, a justiça, a liberdade, etc.
Aqui reside a dificuldade. A revelação é universal e plena, mas toda teologia é transitória, pois reflete um momento de compreensão da revelação e da história da salvação.
Depois de uma criativa ruptura com a modernidade, enquanto pensamento, tradição e história, é necessário sentir de novo a alegria da esperança escatológica, para compreender a natureza do terreno sobre o qual pisamos.
Há um momento de cisão no qual modificou-se, de modo essencial, a concepção do que significa teologia. Esse momento foi assinalado a partir dos anos 60 com a teologia da esperança, de Jürgen Moltmann.
Trata-se de uma reflexão prodigiosamente profética, pois enunciava, não somente a queda do muro de Berlim, mas o processo de aglutinação vivido por alemães, em primeiro lugar, por europeus, na seqüência, e agora muito possivelmente por parte da humanidade. É sem dúvida, uma das elaborações mais impressionantes, se entendermos sua abordagem epistemológica. Sugere um campo normativo, a ser percorrido pelos movimentos e comunidades que abririam aguerridamente, a golpes de machado, a senda pós-moderna.
A expressão "abordagem epistemológica" não é exagerada. Conforme, Bachelard, "os filósofos justamente conscientes do poder de coordenação das funções espirituais consideram suficiente uma mediação deste pensamento coordenado, sem se preocupar muito com o pluralismo e a variedade dos fatos (...). Não se é filósofo se não se tomar consciência, num determinado momento da reflexão, da coerência e da unidade do pensamento, se não se formularem as condições de síntese do saber. E é sempre em função desta unidade, desta síntese, que o filósofo coloca o problema geral do conhecimento". G. Bachelard, Filosofia do Novo Espírito Científico, Lisboa, Presença, 1972, pp. 8-9.
Usando a leitura de Roberto Machado, diríamos com ele que "a história arqueológica nem é evolutiva, nem retrospectiva, nem mesmo recorrente; ela é epistêmica; nem postula a existência de um progresso contínuo, nem de um progresso descontínuo; pensa a descontinuidade neutralizando a questão do progresso, o que é possível na medida em que abole a atualidade da ciência como critério de um saber do passado" (Roberto Machado, Ciência e saber). A trajetória arqueológica de Foucault,(Rio de Janeiro, Graal, 1982, p. 152).
certeza da busca e a utopia nos dá as figuras concretas desse possível.
Introdução
1. No Apocalipse, o futuro define o presente.
O Apocalipse inverte a nossa noção de tempo. O futuro modela e estrutura o presente.
1º bloco
Vers. 6 > As palavras são fiéis e verdadeiras.
Vers. 7 > É feliz quem guarda as palavras daquilo que é proclamado (profecia) neste livro.
Vers. 10 > Não feche este livro. O futuro é hoje.
Vers. 11 e 12 > O futuro deve definir o que você faz. E você dará conta disso. E receberá o troco.
O que Cristo diz àqueles que obedecem às palavras desse livro?
Vers. 18 > Quem acrescentar = sofrerá os flagelos
Vers. 19 > Quem tirar = fica fora. Sem acesso à árvore da vida, fora da cidade santa e sem as benções prometidas no livro.
Conclusão
A Palavra é fiel
Vers. 20 > Jesus, a Palavra que reina, garante: Estou chegando! Em Apocalipse 22.12-15 está escrito:
A Teologia da Esperança: Jürgen Moltmann
DESENVOLVIMENTO HISTÓRICO DA TEOLOGIA DE MOLTMANN
Jürgen Moltmann (1926 - ) tornou-se famoso na década de 1960. Moltmann conheceu o filósofo marxista Ernst Bloch na Universidade de Tubinga e, este muito influenciou a teologia de Moltmann. Naqueles anos houve diálogo entre cristãos e marxistas em Tubinga que afetou a alguns jovens. Foi a raiz desta interação com os marxistas que Moltmann escreveu a sua Teologia da Esperança.[1] O livro é produto de um estudo bíblico que focaliza na esperança cristã do futuro. Tais teses continuaram o seu desenvolvimento em Religion, Revolution and the Future.
David Scaer observa que “para Moltmann o princípio hermenêutico é a escatologia e, a esperança é o tema principal na Bíblia.”[2] Mas, para Moltmann a igreja dá forma ao futuro e proporciona esperança por meio da interação social, particularmente a favor dos pobres.
AFIRMAÇÕES DOUTRINÁRIAS DA TEOLOGIA DE MOLTMANN
A teologia de Moltmann pode ser resumida da seguinte maneira.[3] Deus é parte do processo do tempo, em direção ao futuro. Portanto, não é absoluto, está a caminho do futuro, onde se cumprirão as suas promessas. O futuro é a natureza essencial de Deus. A ressurreição de Jesus Cristo enquanto um evento histórico não tem nenhuma importância. A importância na ressurreição de Cristo é escatológica e deve ser vista na perspectiva do futuro, porque dá a esperança de uma ressurreição geral. Em lugar de olhar a partir duma tumba vazia em direção ao futuro, Moltmann sugere olhar o futuro porque este legitima a ressurreição de Cristo. O homem também deve perceber-se na perspectiva do futuro. Ele diz que “o homem somente pode entender-se com referência à história continuamente em desenvolvimento em relação com o futuro de Deus.[4] A solução para o homem é associar-se com Deus que “se apresenta sempre que a humanidade se despreza ou brutaliza.” Moltmann o chama de teologia da cruz. O homem participa nesta teologia da cruz aceitando que os desafios da vida são momentos futuros que se rompem no presente.”[5] O homem deve participar ativamente na sociedade para transformá-la. Devem eliminar as diferenças de “raças, classes, status e igrejas nacionais.”[6] A igreja tem a capacidade de moldar o futuro e deve pregar para transformar a sociedade.[7] A igreja deve ver além da salvação “pessoal” para desafiar todas as barreiras e estruturas entre diferentes pessoas.[8] A igreja é o instrumento de Deus para a mudança, para reconciliar aos ricos com os pobres, as raças e as estruturas artificiais. A revolução pode ser um dos meios para que a igreja introduza mudanças.
AVALIAÇÃO DA TEOLOGIA DE MOLTMANN
Jürgen Moltmann nega a compreensão normal da história por causa da sua ênfase no futuro. Rejeita o significado da historicidade da ressurreição de Cristo. Dada a sua alienação da história com a escatologia, nega o verdadeiro significado da história e dos eventos históricos. Moltmann nega a imutabilidade de Deus (Ml 3:6), e sugere que Deus não é absoluto, senão que “se move para o futuro”.
A influência do Marxismo e do “Marxismo cristão” de Ernst Bloch é evidente em seu conceito de mudar a sociedade. Sem dúvida alguma, grande parte da Teologia da Libertação tem as suas raízes na teologia da revolução e da mudança social de Moltmann. Tal transformação não se alcançará pela salvação individual, a não ser que a igreja confronte a sociedade com estas injustiças.
A esperança futura de Moltmann também está ligada ao humanismo otimista e com a filosofia hegeliana: vê o caos no passado (tese), esperança no futuro (antítese) e a necessidade de que os atos presentes efetuem mudanças (síntese). Em resumo, Moltmann deve muito mais a Karl Marx do que às Escrituras. Se você concorda com isso, faça dessa Teologia sua bandeira. Eu estou fora, apesar de concordar com alguns argumentos defendidos por Ele.
NOTAS:
[1] Publicado no Brasil como Jürgen Moltmann, Teologia da Esperança (). Nota do tradutor.
[2] David Scaer, “Theology of Hope” in Stanley N. Gundry & Alan F. Johnson, eds., Tensions in Contemporary Theology (Chicago, Moody, 1976), p. 210.
[3] Para um resumo da teologia de Moltmann veja Scaer, “Theology of Hope”, pp. 212-218 e Harvie M. Conn, Contemporary World Theology (Nutley, Presbyterian & Reformed, 1974), pp. 59-65.
[4] Scaer, “Theology of Hope”, p. 212.
[5] Ibidem, p. 213.
[6] Jürgen Moltmann, The Experiment Hope (Philadelphia, Fortpress, 1975), p. 117.
[7] Conn, Contemporary World Theology, p. 62.
[8] S.M. Smith, “Hope, Theology of”, in Walter A. Elwell, ed., Evangelical Dictionary of Theology (Grand Rapids, Baker, 1984), p. 533.

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