DEVEMOS ORAR PELOS MORTOS E
MANDARMOS REZAR MISSA DE SÉTIMO DIA?
Pra. Maria Luísa Duarte Simões Credidio
Esclarecimentos dedicados ao meu
querido irmão e amigo Luciano

Morte Velório Caixão Luto Cerimônia Cova
Após a dúvida de um irmão sobre esses dois assuntos, resolvi escrever para esclarecê-los. Vamos por assunto. Primeiro, abordo:
DEVEMOS ORAR PELOS MORTOS?
Orar pelos mortos não é um conceito bíblico. Nossas orações não têm nenhuma influência sobre alguém que já morreu. A realidade é que, no momento da morte, o destino eterno já está confirmado. Ou essa pessoa é salva pela fé em Cristo e está no céu experimentando descanso e alegria na presença de Deus, ou está em tormento no inferno. A história do homem rico e Lázaro, o mendigo, nos fornece uma vívida ilustração desta verdade. Jesus claramente usou essa história para ensinar que após a morte os injustos são eternamente separados de Deus, que se lembram da sua rejeição do evangelho, que estão em tormento e que sua condição não pode ser remediada (Lucas 16:19-31).
Muitas vezes, as pessoas que perderam um ente querido são incentivadas a orar por aqueles que já faleceram e por suas famílias. É claro que devemos orar por aqueles que estão sofrendo, mas pelos mortos, não! Ninguém deve acreditar que é possível orar por alguém que já morreu e obter algum tipo de resultado favorável. A Bíblia ensina que o estado eterno da humanidade é determinado por nossas ações durante a nossa vida na terra. "A alma que pecar, essa morrerá; o filho não levará a iniqüidade do pai, nem o pai, a iniqüidade do filho; a justiça do justo ficará sobre ele, e a perversidade do perverso cairá sobre este" Ezequiel 18:20.
O escritor aos Hebreus nos diz: "E, assim como aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo, depois disto, o juízo" Hebreus 9:27. Aqui entendemos que nenhuma mudança na condição espiritual pode ser feita após a morte - ou por si próprio ou por meio dos esforços dos outros. Se é inútil orar pelos vivos que estão a cometer "um pecado que leva à morte" (1 João 5:16), ou seja, o pecado contínuo sem buscar o perdão de Deus, como poderia a oração por aqueles que já estão mortos servir-lhes de algum benefício, já que não há nenhum plano de salvação após a morte?
A questão é que cada um de nós tem apenas uma vida, e somos responsáveis pela forma como escolhemos vivê-la. Outros podem influenciar nossas escolhas, mas no final temos que dar conta das escolhas que fazemos. Quando a vida tiver chegado ao fim, não há mais escolhas a serem feitas; não temos escolha a não ser enfrentar o julgamento. As orações de outras pessoas podem expressar seus desejos, mas não vão mudar o resultado. O tempo para orar por uma pessoa é quando ele ou ela vive e ainda há a possibilidade de seu coração, atitudes e comportamento serem alterados. Romanos 2:3-9 nos deixa isso bem claro, quando traz:
"E tu, ó homem, que julgas os que fazem tais coisas, cuidas que, fazendo-as tu, escaparás ao juízo de Deus?
Ou desprezas tu as riquezas da sua benignidade, e paciência e longanimidade, ignorando que a benignidade de Deus te leva ao arrependimento?
Mas, segundo a tua dureza e teu coração impenitente, entesouras ira para ti no dia da ira e da manifestação do juízo de Deus;O qual recompensará cada um segundo as suas obras; a saber:
A vida eterna aos que, com perseverança em fazer bem, procuram glória, honra e incorrupção;
Mas a indignação e a ira aos que são contenciosos, desobedientes à verdade e obedientes à iniqüidade;
Tribulação e angústia sobre toda a alma do homem que faz o mal; primeiramente do judeu e também do grego;
É natural ter o desejo de orar em momentos de dor, sofrimento e perda de entes queridos e amigos, mas conhecemos os limites da oração válida, conforme revelados na Bíblia. A Bíblia é o único manual oficial de oração, e ensina que as orações pelos mortos são inúteis. No entanto, encontramos a prática de orar pelos mortos sendo observada em determinadas áreas da "Cristandade". A teologia católica apostólica romana, por exemplo, permite orações tanto aos mortos quanto em seu favor. Mas até mesmo as autoridades católicas admitem que não há autorização explícita para a oração em favor dos mortos nos sessenta e seis livros das Escrituras canônicas. Em vez disso, eles apelam para o apócrifa (2 Macabeus 12:46 que diz: "era esse um bom e religioso pensamento; eis por que ele pediu um sacrifício expiatório para que os mortos fossem livres de suas faltas), à tradição da igreja, ao decreto do Concílio de Trento, etc., para defender a prática. O texto de Macabeus citado leva à crença do purgatório, onde aqueles que não conseguiram ser salvos iriam para pagarem o preço de alcançar o Céu. Assim, eles acreditavam que orando, abreviavam o sofrimento do morto no Purgatório e o levariam para o céu! Mas isso não é bíblico! A tradição católica do purgatório tem uma história que remonta, antes de Jesus, à crença encontrada no judaísmo de rezar pelos mortos, especula-se que o cristianismo pode ter tomado a sua prática similar. A crença católica do purgatório se baseia, entre outras razões, sobre esta prática da oração pelos mortos.
A Bíblia ensina que aqueles que têm se rendido à vontade do Salvador (Hebreus 5:8-9: "Ainda que era Filho, aprendeu a obediência, por aquilo que padeceu.E, sendo ele consumado, veio a ser a causa da eterna salvação para todos os que lhe obedecem) entram diretamente e imediatamente na presença do Senhor após a morte (Lucas 23:43, Filipenses 1:23, 2 Coríntios 5:6, 8). Que necessidade, então, têm eles pelas orações do povo na terra? Embora nos simpatizemos com aqueles que perderam entes queridos, devemos ter em mente que "eis, agora, o tempo sobremodo oportuno, eis, agora, o dia da salvação"(2 Coríntios 6:2). Embora o contexto se refira à era do evangelho como um todo, o versículo é adequado para qualquer indivíduo que não esteja preparado para enfrentar o inevitável - a morte e o julgamento que se segue (Romanos 5:12, 1 Coríntios 15:26, Hebreus 9:27) . A morte é final e depois disso, nenhuma quantidade de oração vai beneficiar uma pessoa que rejeitou a salvação durante a vida. E ponto final. A escolha, ela fez em vida!
E agora abordaremos:
MISSA DE SÉTIMO DIA
Essa é uma tradição tipicamente católica apostólica romana que foi criada na Itália e sua prática surgiu, aqui no Brasil, no período colonial. Na época, era muito difícil para os familiares e amigos chegarem a tempo para a missa de corpo presente e o sepultamento, considerando a extensão territorial do país e as dificuldades de locomoção. Andava-se à cavalo!
Por se tratar de uma terra de clima tropical, não era possível esperar muito tempo para o sepultamento, pois o corpo entrava em putrefação rapidamente, tendo que ser enterrado. Então muitas pessoas próximas ao falecido acabavam ficando de fora dos rituais. A partir dessa dificuldade, surgiu a ideia de adotar a celebraçao da missa de sétimo dia, porque assim, todos teriam a oportunidade de participar da última homenagem.
A origem está bem clara, mas porque foi definida a espera de sete dias para a realização da missa?
Não há certezas absolutas sobre essa escolha, mas acredita-se que seja pelo fato de o número 7 estar presente em várias passagens bíblicas. No livro do Gênesis, por exemplo, há uma referência quanto á morte de Jacó: “fizeram um funeral grandioso e solene e José guardou por seu pai um luto de sete dias” Gn, 50, 10. Na verdade, a Bíblia tem muitas referências ao número 7 e considera-se também a referência do número 7 com relação à criação do mundo, além da ideia de que ele biblicamente represente a perfeição. Deve ter sido daí a escolha de sete dias após o funeral, orarem pelo morto.
Outro motivo apontado por alguns teólogos para a instituição da missa de sétimo dia, é a ganância. A Igreja Católica Apostólica Romana já foi conhecida como a empresa mais rica do mundo. E a missa de sétimo dia era cobrada para ser realizada. Só mais recentemente, com o papa Francisco, houve uma mudança de orientação: As missas de sétimo dia não devem ser cobradas. No entanto, a família do falecido pode colaborar com a igreja oferecendo uma oferta em dinheiro no valor que desejar( o que acaba sendo uma cobrança indireta e sutil, mas sem valor determinado, como tinha antes). Em outras palavras, missa de sétimo dia costuma ser de graça, mas uma contribuição para a paróquia é muito bem-vinda. E isso é deixado claro, ao ir se agendar o ritual.
Mas, mais uma vez digo: apesar da inspiração poder ter sido bíblica, a Bíblia não estipula nenhum ritual a ser feito sete dias após a morte. É portanto uma tradição dos católicos apostólicos romanos brasileiros e de outros países, não adotada por nós, crentes. Aliás, nem pelo mundo inteiro, uma vez que aqui o clima tropical e o gigantismo do nosso país, influenciam diretamente nessa invencionice. Vejam se na Islândia, na Noruega, na Suécia e na Finlândia, por exemplo, países gelados, os católicos fazem missa de sétimo dia. Não! Porque são países frios, onde o corpo não se decompõe com a rapidez que se decompõe aqui no Brasil. Espero ter explicado e tirado as dúvidas existentes e estou aberta a novos esclarecimentos.
Que Deus os abençoe!
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