16 de JUNHO: CORPUS CHRISTI: O QUE SE COMEMORA HOJE?

Pra.Maria Luísa Duarte Simões Credidio


"E tomando pão, e havendo dado graças, partiu-o e deu-lho, dizendo: Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim. "

Lc 22.19


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Páscoa


 Quinta-Feira Santa Última Ceia Comunhão


        Corpus Christi é uma expressão originária do latim e, em tradução para o português, significa “corpo de Cristo”. Desse modo, o nome escolhido para essa comemoração já sugere o seu significado: uma homenagem à eucaristia. Esse sacramento do catolicismo romano é realizado como uma forma de relembrar a morte e ressurreição de Jesus Cristo. Nesse sacramento, o pão que é consumido representa o corpo de Cristo, e o vinho ingerido simboliza o sangue de Cristo.

        A realização da eucaristia(Santa Ceia para os crentes) é uma referência à Última Ceia, realizada por Cristo com seus discípulos durante a Semana Santa, e à ordem de Cristo (conforme a simbologia citada) de consumir o pão e o vinho em sua memória. Ainda dentro da teologia católica apostólica romana, acredita-se que na eucaristia ocorre algo conhecido como transubstanciação, no qual os elementos (hóstia e vinho), após serem consagrados, transformam-se, em essência, na carne e no sangue de Cristo.

        A comemoração de Corpus Christi ocorre exatamente 60 dias após a Páscoa. A data é celebrada obrigatoriamente em uma quinta-feira. Isso acontece como uma simbologia pelo fato de que a Última Ceia ocorreu em uma quinta-feira, segundo nos conta a tradição. Outro marco importante para o estabelecimento da data é o Domingo da Santíssima Trindade. Na quinta seguinte ao Domingo da Santíssima Trindade, é comemorado Corpus Christi. Neste ano a data cai no dia 16 de Junho.

        A comemoração de Corpus Christi faz parte do calendário tanto da Igreja Católica Apostólica Romana como de algumas igrejas anglicanas. A data não é comemorada por cristãos ortodoxos nem pelos protestantes. 

No Brasil, em decorrência da grande tradição católica, a comemoração da data é acompanhada por algumas práticas que foram consolidadas aqui a partir da influência dos portugueses.

        Uma tradição típica de Corpus Christi no Brasil trazida pelos portugueses é a atividade de produzir tapetes. Os tapetes de Corpus Christi são uma prática comum em muitas partes do país, representando símbolos e cenas importantes da fé católica. Os tapetes são confeccionados a partir de vários produtos, como serragem, borra de café, areia, flores, casca de ovos, etc.


"Qual a origem histórica de Corpus Christi?

        A origem da comemoração dessa data remonta ao século XIII, oficialmente em 1264, durante o pontificado de papa Urbano IV (papa da Igreja de 1261 a 1264). A criação de uma comemoração em homenagem ao sacramento da Eucaristia (friso: para nós, protestantes, Santa Ceia) foi resultado da influência dos relatos de Juliana de Mont Cornillon, uma freira belga que nasceu nas proximidades da cidade de Liège, em 1193.

        Os relatos sobre Juliana de Mont Cornillon indicam que ela dizia ter, durante anos, visões e sonhos que traziam uma mensagem divina acerca da importância de se criar uma festa que comemorasse de maneira apropriada o sacramento da eucaristia. Esses relatos influenciaram inicialmente Roberto de Thourotte, bispo da diocese de Liège, que autorizou a realização de uma comemoração para 1247.

        O bispo de Thourotte nunca chegou, de fato, a presenciar a comemoração ser realizada, pois acabou falecendo antes disso. No entanto, os relatos de Juliana impactaram outra pessoa em Liége: o arcediago( dignitário eclesiástico que recebe do bispo certos poderes junto dos párocos, curas, abades etc. de uma diocese) Jacques Pantaleon. Esse arcediago nasceu em Troyes, na França, e em 1261 seria entronizado papa sob o nome de Urbano IV, que, conforme mencionamos, foi o responsável por oficializar a criação dessa celebração.

        Além dos relatos de Juliana de Mont Cornillon, outro acontecimento narrado sensibilizou o papa a criar Corpus Christi. Os relatos afirmam que, em 1264, um sacerdote da Boêmia chamado Pedro de Praga foi a Roma para se encontrar com Urbano IV. Durante seu retorno à Boêmia, Pedro de Praga deteve-se em Bolsena e lá realizou o sacramento da eucaristia. Durante o sacramento, conta-se que sangue começou a verter da hóstia consagrada.

        Esse suposto milagre ficou conhecido como Milagre de Bolsena, e seu relato rapidamente se espalhou, alcançando o próprio papa, que, pouco tempo depois, oficializou a criação de Corpus Christi. Aos poucos, a festa difundiu-se por outras localidades da Europa. Corpus Christi teve sua importância ratificada durante o século XIV, e práticas comuns à festa foram criadas com o passar do tempo.

        Para o brasileiro, que apesar de se declarar, em maioria, católico apostólico romano,  a festa comemorativa ao corpo de Cristo só serve para uma coisa: 4 dias de feriadão, onde se esbalda em churrascadas, viagens à praia ou ao campo, integração com os amigos, muitas bebidas, sendo o corpo de Cristo esquecido, ou ocupando o último lugar nas atividades daqueles dias. 

        Também pelos crentes não acreditarem na transubstanciação da hóstia em corpo de Cristo e tampouco do vinho em seu sangue, não comemoram a data, mantendo as atividades normais em seus templos. O crente acredita na ceia memorial, estabelecida por Jesus, na qual o pão representa o corpo de Jesus, e o vinho representa seu sangue. E toda igreja, a pedido de Jesus, o Cristo de Deus, faz isso ao menos uma vez por mês, cabendo a cada templo escolher a data que melhor lhe aprouver: primeiro, segundo, terceiro ou quarto domingo do mês, mantendo a regularidade da Santa Ceia após a escolha do domingo mais apropriado à comunidade. Há teólogos que inclusive argumentam que se na Santa acontecesse a transubstanciação do pão para o corpo de Cristo, estaríamos incentivando o canibalismo (que é pecado, segundo a Igreja) e no caso do sangue, estaria sendo incentivado o vampirismo (outro pecado!). Sei que são visões muito impactantes, chocantes e radicais do que prega a Igreja Católica Apostólica Romana. Mas como vivemos num país onde é permitida a liberdade de expressão, desde que não seja anônima, sou obrigada a permitir que coloquem suas posições.





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